Apoio à saúde mental ainda é escasso nas empresas, aponta estudo do CRA-SP

Saúde | 0 Comentários

TV Sorocaba

9 de julho de 2025

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Nova norma regulamentadora foi criada para corrigir o problema

Funcionários trabalhando na empresa.

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A saúde mental nas empresas se tornou uma preocupação crescente nos últimos anos, especialmente após a pandemia. No Brasil, o assunto tem sido amplamente discutido no mercado de trabalho. Dados de 2024 do Ministério da Previdência Social mostram mais de 470 mil afastamentos do trabalho devido a transtornos mentais, o maior número dos últimos dez anos.

Apesar da crescente atenção que as organizações têm dado ao tema, na prática, isso tem sido pouco percebido. Segundo um recente levantamento do Conselho Regional de Administração de São Paulo – CRA-SP, a maioria dos participantes da pesquisa (60,2%) afirmou que a empresa onde trabalha não possui apoio psicológico de forma profissional, embora considere isso importante. Apenas 15,7% deles disseram ter esse acesso com facilidade.

O estudo, que ouviu 429 profissionais de administração entre os dias 14 de abril e 5 de maio, identificou outro fato preocupante: quase metade dos entrevistados (48,1%) acredita que a empresa onde trabalha não valoriza a saúde mental dos seus colaboradores.

Diante desse cenário alarmante, uma nova norma regulamentadora, a NR-1 foi elaborada para tornar obrigatórias ações voltadas ao bem-estar psicológico nos ambientes corporativos, com isso será possível gerenciar riscos psicossociais relacionados ao trabalho.

O prazo para adequação da NR-1 nas empresas inicialmente terminou em maio deste ano, mas empregadores pediram mais prazo para uma transição mais estruturada frente às novas exigências. Com isso o Ministério do Trabalho e Emprego, já anunciou a intenção de adiar por um ano a entrada em vigor da nova regulamentação.

Além da prorrogação do prazo, o governo vai apoiar a implementação efetiva da norma com algumas ações, entre elas: o lançamento de um manual técnico detalhado, e a criação de um grupo de trabalho, formado por representantes do MTE, de empresas e de trabalhadores, com o objetivo de acompanhar e orientar a aplicação da NR-1.

Na prática as empresas devem trabalhar para impedir o estresse ocupacional crônico, como síndrome de burnout; assédio moral; carga mental excessiva; isolamento no ambiente de trabalho; exigência de hiperconectividade.

A advogada Ana Rosa Galutti destaca que a implantação da norma começa com um diagnóstico organizacional, passando por mapeamento de estresse, análise de atestados médicos e até grupos focais.

“Com esses dados em mãos, a empresa pode desenvolver programas personalizados de prevenção, capacitação de líderes e canais de apoio psicológico. É um processo contínuo que precisa ser monitorado e ajustado”.

Em Sorocaba, uma empresa que atua há quase 20 anos nos setores automotivo, de eletrodomésticos e eletroeletrônicos, já adota uma série de medidas para garantir a segurança dos mais de 200 trabalhadores. Mas, em uma grande empresa, além da proteção física, também é preciso estar atento à saúde emocional. Por isso, a comunicação sempre foi essencial para manter o bem-estar dos colaboradores, diz o proprietário da empresa, Paulo Gregório.

“Todo empresário tem sua responsabilidade social, além da econômica, de zelar pelo colaborador. Nós temos muitos benefícios: desjejum, jantar, almoço, vale-transporte… a gente procura dar o melhor para que eles devolvam o melhor em produtividade.”

Mesmo com a NR-1 adiada, a empresa decidiu se antecipar. Para entender como está a saúde mental dos funcionários e identificar possíveis casos de assédio, abuso ou qualquer prática que comprometa o ambiente de trabalho, foi criado um questionário sobre a convivência interna.

Segundo especialistas, investir em saúde mental nas empresas não só melhora a qualidade de vida dos trabalhadores, mas também reduz afastamentos e fortalece a reputação da organização.

Ao serem questionados sobre suas expectativas em relação a maior atenção das empresas à saúde mental nos próximos anos, apenas 14% dos participantes da pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Administração de São Paulo – CRA-SP não acreditam em uma mudança de cenário. Entretanto, 47,8% dos profissionais acham que essa maior atenção acontecerá apenas por obrigação da legislação.

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