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O debate sobre a redução da jornada semanal de trabalho ganha força no Congresso Nacional, colocando em questão o equilíbrio entre o bem-estar do empregado e a saúde financeira das empresas
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O Brasil vive hoje um debate intenso que atinge diretamente o cotidiano de milhões de brasileiros: o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso). A Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que visa reduzir a jornada semanal sem redução salarial, tornou-se o centro de uma disputa de narrativas entre representantes dos trabalhadores e o setor produtivo.
Em Brasília, o tema já deu passos significativos, tendo sido aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. No entanto, o caminho para a implementação definitiva ainda é longo e repleto de questionamentos técnicos e econômicos.
Para aprofundar o entendimento sobre o impacto dessa medida, conversamos com Milton Mathias, o “Zico”, presidente do Sindcomerciários de Sorocaba e região. À frente de uma entidade que representa cerca de 50 mil trabalhadores, Zico é uma voz ativa na defesa da proposta.
Segundo o sindicalista, a manutenção da escala 6×1 é vista como um modelo exaustivo que compromete a saúde mental e a vida familiar do trabalhador. Segundo Zico o modelo atual está defasado. O trabalhador precisa de tempo para o lazer, para a família e para o estudo. Um funcionário descansado é, inclusive, mais produtivo.
Um dos pontos mais sensíveis da PEC é a garantia de que não haverá corte nos salários. Críticos da medida e associações comerciais alertam que a conta pode não fechar para o pequeno e médio empresário. Questionado se a mudança não poderia provocar uma onda de demissões, Zico mantém o otimismo, defendendo que a economia se ajusta à maior circulação de renda e ao bem-estar social.
Outra dúvida frequente da população diz respeito ao funcionamento de serviços essenciais e do lazer. Supermercados e lojas de rua deixariam de abrir aos domingos?
De acordo com o presidente do sindicato, a proposta não visa o fechamento dos estabelecimentos, mas sim uma reorganização das escalas. O comércio não precisa parar. O que propomos é que as empresas contratem mais para cobrir as folgas ou organizem turnos que respeitem o novo limite de jornada. É uma questão de gestão, explicou Zico.
No caso dos shoppings centers, conhecidos pelo funcionamento ininterrupto, a logística é ainda mais complexa. Para esses empreendimentos, a alternativa reside na criação de novas frentes de trabalho, o que poderia, inclusive, gerar novos empregos formais para suprir as lacunas deixadas pela redução da jornada de cada indivíduo.
Com o ano legislativo em curso e a proximidade de períodos eleitorais, o assunto ganha contornos políticos. O tema é considerado “popular” e gera grande engajamento nas bases eleitorais. Sobre a possibilidade de aprovação ainda este ano, o clima é de cautela, mas de forte mobilização das centrais sindicais para pressionar os parlamentares.
Ao finalizar, Milton Mathias deixou uma mensagem de esperança para a categoria dizendo que a redução da escala não é um privilégio, é uma necessidade para uma sociedade mais equilibrada.
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