Balanço aponta quase 200 resgates por trabalho escravo em Sorocaba e região em 2025

Fiscalização, Notícia Regional, Policial, Segurança, Sorocaba | 0 Comentários

Jacqueline França

29 de janeiro de 2026

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Dados do Ministério do Trabalho mostram que casos na região seguem o padrão nacional, marcado por desigualdade social, racial e vulnerabilidade de migrantes

trabalho escravo em supermercado

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Um balanço divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) sobre as ações de combate ao trabalho escravo contemporâneo em 2025 revela que Sorocaba e cidades da região seguem o mesmo cenário observado em todo o país. Somente neste ano, quase 200 trabalhadores foram resgatados em situações consideradas análogas à escravidão na região.

No início de 2025, um dos casos mais graves ocorreu em Sorocaba, quando 65 trabalhadores foram abandonados por um empreiteiro em uma obra, sem receber salários, sem alimentação e sem local para dormir. Diante da situação, os trabalhadores procuraram o Ministério do Trabalho em Sorocaba. O chefe da fiscalização, Ubiratan Vieira, e o representante sindical Joel Miguel da Silva acionaram o Sindicato da Construção Civil. Com a atuação dos dirigentes sindicais Pestana 1 e Pestana 2, em conjunto com a fiscalização, a empresa responsável pela obra foi sensibilizada e quitou os direitos trabalhistas devidos.

Ainda em 2025, outras ocorrências foram registradas na região. Em Votorantim, nove trabalhadores foram resgatados. Em Taquarivaí, o número chegou a 87. Na Zona Industrial de Sorocaba, 15 trabalhadores foram vítimas de empreiteiros. Outro caso envolveu 15 haitianos em uma grande empresa de reciclagem. Além disso, 14 trabalhadores foram encontrados em uma construção próxima ao centro da cidade, todos com ASOs falsos.

Em Sorocaba, uma operação de fiscalização também resultou no resgate de quatro trabalhadoras venezuelanas submetidas a condições análogas à escravidão, com agravantes de discriminação severa. Elas atuavam na área de limpeza e cumpriam jornadas mais longas que as demais funcionárias, com exigência de deslocamentos extensos, em alguns casos atravessando a cidade a pé, sem acesso a benefícios básicos.

Enquanto trabalhadoras brasileiras recebiam lanche, vale-alimentação, cesta básica e piso salarial integral, as venezuelanas eram privadas desses direitos e submetidas a tratamento desigual. A ação foi conduzida pela chefia regional da fiscalização do trabalho em Sorocaba, sob coordenação de Ubiratan Vieira. Após o reconhecimento das irregularidades, todas receberam os direitos trabalhistas e indenização individual. Cada uma recebeu cerca de R$ 28 mil entre verbas, diferenças salariais e reparação. As trabalhadoras agradeceram à equipe de fiscalização e exibiram os cheques recebidos.

PERFIL DOS TRABALHADORES RESGATADOS
O balanço nacional do MTE, por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho, mostra que o trabalho escravo contemporâneo segue fortemente ligado às desigualdades raciais e sociais. Do total de trabalhadores resgatados em 2025, 86% são homens e 83% se autodeclaram negros, evidenciando que a população negra é atingida de forma desproporcional.

A maior concentração de pessoas resgatadas está na faixa etária entre 30 e 39 anos. Cerca de 65% residem na região Nordeste, com destaque para o Maranhão. Em relação à escolaridade, 68% têm baixa escolaridade, 24% concluíram o ensino médio e 8% são analfabetos, reforçando a ligação direta entre trabalho escravo, pobreza estrutural e exclusão educacional.

Os dados reforçam a importância da fiscalização contínua e integrada para o enfrentamento do trabalho escravo contemporâneo, especialmente em regiões e setores que concentram trabalhadores em situação de maior vulnerabilidade.

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